Limiar: Dark Matter, de Luciano Salles

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Sensação de desconforto, leitura difícil, complexidade narrativa. Ao ver o nome de Luciano Salles estampado na capa duma revista, o leitor sabe que se deparará com uma história diferente daquilo do qual está habituado – ainda mais se suas experiências forem relacionadas apenas a gibis de super-heróis.

Natural de Taquaritinga e radicado em Araraquara (ambas localizadas no interior de São Paulo), Pirica (forma como é chamado pelos amigos) iniciou sua saga como quadrinista em 2012 com Luzcia, a Dona do Boteco, HQzine independente que virou curta-metragem pelas mãos do diretor Paulo Delfini no ano passado. Depois, vieram O Quarto Vivente em 2013 e L’amour: 12 oz no ano de 2014 (escrevi texto sobre o livro aqui no blog). Editada pela Mino, L’amour é a única de suas publicações feita em associação com uma editora até o momento. Agora, acaba de ser lançada Limiar: Dark Matter, obra que encerra um ciclo iniciado em O Quarto Vivente.

LimiarCLimiar apresenta uma história tarantinesca de vingança. Num futuro não determinado, em que o equilíbrio “pós-social” é mantido pela ingestão de “metais representativos”, os “confrades” Carino e Nádio partem numa jornada insana para vingar a morte de Amerício, amigo que tentou quebrar a ordem vigente nessa “pós-sociedade” que, assim como as retratadas nas distopias de Philip K. Dick, não aceita recusas. Para chegar aos limiares da insanidade, eles ingerem uma substância definida como dark matter – literalmente “matéria escura” -, que os leva às portas da percepção guardadas pelos “senhores do acesso”, vigilantes prontos para fazerem com que possíveis infratores sejam “memorizados”.

A arte de Luciano é extraordinária. Ele compõe cenários fantásticos e insólitos que convidam o leitor a parar por um bom tempo diante duma página, analisando cada detalhe daquele traço ao mesmo tempo grotesco e poético. Seu trabalho com a linguagem faz com que o roteiro tenha elementos de um João Antônio da ficção científica, algo já visto no dialeto que mistura as línguas francesa e portuguesa de O Quarto Vivente.

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De quebra, Limiar: Dark Matter apresenta uma parceria que deu muito certo em L’amour e mostra entrosamento refinado nessa viagem mais do que psicodélica: Marcelo Maiolo – colorista de títulos como Batman Beyond e Old Man Logan –  é o dono da paleta de cores dessas páginas futurísticas.

Ao final da leitura, há a certeza de que valeu a pena ingerir seu “quarto de dark matter“.

O encadernado está a venda no blog do autor.

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